Visto de fora, o Terço pode parecer complicado — um cordão de contas, uma sequência de orações repetidas, um vocabulário de "dezenas" e "mistérios". Na prática, é uma das orações mais simples e constantes que um católico pode aprender, e você pode estar rezando bem em uma só tarde. No fundo, o Terço é duas coisas acontecendo ao mesmo tempo: seus lábios dizem orações vocais conhecidas enquanto sua mente medita serenamente em cenas da vida de Jesus e de Maria. As contas não são o essencial; são apenas um modo de ocupar as mãos e manter a contagem em ordem, deixando o coração livre para rezar. Este guia conduz você por tudo, oração por oração.
O que é, de fato, o Terço
O Terço une oração vocal e meditação. Enquanto você repete a Ave Maria muitas vezes, não deve concentrar-se apenas nas palavras, mas imaginar um acontecimento concreto — um "mistério" — do Evangelho. A repetição é proposital. Como um ritmo suave e constante, ela aquieta a mente para que a meditação se aprofunde. São João Paulo II chamou o Terço de oração na qual "contemplamos o rosto de Cristo" pelos olhos de sua mãe.
Ele tem também um lugar especial na devoção católica moderna por causa de Fátima. Em 1917, numa pequena aldeia portuguesa, três pastorinhos relataram que Nossa Senhora lhes apareceu e pediu, repetidamente, o Terço diário, rezando pela paz e pela conversão dos pecadores. Esse pedido é uma das razões pelas quais o Terço diário se tornou tão central para tantos católicos no último século.
Entendendo as contas
Segure um Terço e você verá uma forma clara e repetida. Comece pelo crucifixo. Logo acima dele há uma única conta grande, depois um grupo de três contas pequenas, e então outra conta grande — essa parte curta às vezes é chamada de "rabicho". O rabicho liga-se a uma medalha ou peça central, e dali se abre o laço principal.
O laço é feito de cinco "dezenas". Cada dezena é uma conta grande seguida de dez contas pequenas. Assim, o padrão em volta do laço é: conta grande, dez contas pequenas, conta grande, dez contas pequenas, e assim por diante, cinco vezes. As contas grandes marcam onde se reza um Pai Nosso; as dez contas pequenas são para as dez Ave-Marias. Quando você sentir esse padrão sob os dedos, quase nunca mais precisará olhar para baixo.
A sequência passo a passo
Aqui está a ordem completa, do crucifixo ao redor de todo o laço e de volta.
1. No crucifixo. Faça o Sinal da Cruz e reze o Credo (Símbolo dos Apóstolos).
2. Na primeira conta grande. Reze um Pai Nosso:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
3. Nas três contas pequenas. Reze três Ave-Marias (tradicionalmente pelo aumento da fé, da esperança e da caridade):
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
4. Depois das três Ave-Marias. Reze o Glória ao Pai:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; como era no princípio, agora e sempre. Amém.
5. Agora reze as cinco dezenas. Para cada dezena, repita estes passos:
- Anuncie o mistério daquela dezena (por exemplo, "Primeiro Mistério Gozoso — a Anunciação") e tome um momento para imaginá-lo.
- Na conta grande, reze um Pai Nosso.
- Nas dez contas pequenas, reze dez Ave-Marias meditando no mistério.
- Reze um Glória ao Pai.
- Opcionalmente, acrescente a Oração de Fátima, que os pastorinhos disseram que Nossa Senhora pediu para rezarem após cada dezena:
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem da vossa misericórdia.
Depois passe à próxima conta grande e comece a dezena seguinte do mesmo modo, até completar as cinco.
6. Depois das cinco dezenas. Reze a Salve Rainha:
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve. A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Conclua com uma oração final e o último Sinal da Cruz. Muitos terminam rezando pelas intenções do dia ou com um pedido simples de que, meditando nestes mistérios, possam imitar o que eles contêm e alcançar o que prometem.
Os quatro conjuntos de Mistérios
O Terço é meditação, então precisa de algo sobre o que meditar. Os mistérios estão organizados em quatro conjuntos de cinco, tradicionalmente rezados em dias determinados da semana.
Os Mistérios Gozosos (segunda e sábado): a Anunciação, a Visitação, o Nascimento de Jesus, a Apresentação no Templo e o Encontro do menino Jesus no Templo.
Os Mistérios Dolorosos (terça e sexta): a Agonia no Horto, a Flagelação, a Coroação de Espinhos, o Caminho do Calvário e a Crucificação.
Os Mistérios Gloriosos (quarta e domingo): a Ressurreição, a Ascensão, a Descida do Espírito Santo em Pentecostes, a Assunção de Maria e a Coroação de Maria como Rainha do Céu.
Os Mistérios Luminosos (quinta-feira): o Batismo de Jesus no Jordão, as Bodas de Caná, o Anúncio do Reino, a Transfiguração e a Instituição da Eucaristia. Esses cinco foram acrescentados por São João Paulo II em 2002 para completar os anos da vida pública de Jesus.
Você não precisa rezar os quatro conjuntos em um dia. Rezar um conjunto — cinco dezenas — é o Terço diário comum, e o dia da semana indica quais mistérios usar.
Começando aos poucos
Se cinco dezenas parecem muito no início, comece com uma. O objetivo não é rapidez nem mesmo a contagem completa; é presença. Deixe as palavras conduzirem você enquanto faz companhia às cenas do Evangelho. Com o tempo, o ritmo se torna natural, e a oração que parecia complicada se torna a parte mais fácil do seu dia.
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