As Sete Palavras de Cristo na Cruz, Explicadas
Um homem morre lentamente sob o calor da tarde, fora de Jerusalém. A crucificação foi concebida para silenciar suas vítimas — a cavidade torácica colapsa, o diafragma falha, respirar se torna a coisa mais cara do mundo. E, no entanto, entre a hora terceira e a hora nona, Jesus de Nazaré fala sete vezes. As Sete Palavras de Cristo não são sete ensaios. São arquejos. Cada uma lhe custa caro.
As sete palavras (mais precisamente, sete ditos) não foram todas registradas por um único Evangelho. Elas são harmonizadas a partir de Mateus, Marcos, Lucas e João. A tradição católica das Tre Ore — a devoção de três horas da Sexta-feira Santa que medita sobre cada dito — remonta a um jesuíta peruano, Alonso Messía, por volta de 1687, e a partir dali se espalhou por todo o mundo católico.
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc 23,34)
Esta é quase com certeza a primeira palavra, pronunciada enquanto os soldados o pregam na cruz. A tradição textual é interessante — alguns manuscritos antigos de Lucas omitem o versículo, o que levou alguns estudiosos a argumentar que ele foi acrescentado mais tarde. A tradição católica majoritária, contudo, recebeu-o como autêntico e central.
A oração é chocante à primeira vista. Soldados romanos que executam uma pena de morte do Estado não são candidatos óbvios ao perdão divino. Jesus não pede que sejam dispensados. Pede que Deus não lhes impute aquilo que ainda não conseguem ver. A súplica é pelos carrascos e, por extensão, pela multidão, pelos líderes e por todos os que estão implicados naquele momento — ou seja, por todos nós.
Santo Agostinho leu esta oração como a semente da Igreja: o primeiro ato de intercessão do Sumo Sacerdote no altar da Cruz.
"Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso." (Lc 23,43)
Dois criminosos são crucificados ao seu lado. Um zomba. O outro — a tradição o chama de São Dimas, o Bom Ladrão — repreende o primeiro e se volta para Jesus: "Lembra-te de mim quando entrares no teu Reino."
A resposta é imediata. Não um dia. Não se cumprires certas condições. Hoje. A palavra grega é paradeisos, um empréstimo persa que significa um jardim murado — a linguagem do Éden restaurado.
A tradição católica acalentou este dito por uma razão teológica específica: ele é o fundamento bíblico mais claro para a doutrina de que um único ato sincero de arrependimento, ainda que no fim de tudo, pode salvar. O Bom Ladrão não teve tempo para sacramentos, nem tempo para fazer restituição, nem tempo para fazer coisa alguma a não ser crer e pedir. Foi o bastante.
"Mulher, eis aí o teu filho. Eis aí a tua mãe." (Jo 19,26-27)
Ao pé da cruz estão quatro mulheres — Maria, a mãe de Jesus, sua irmã, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena — e um discípulo, aquele que Jesus amava, tradicionalmente identificado como João.
Jesus dirige-se à sua mãe como Mulher. A forma soa fria em português; não é. Ele usou o mesmo tratamento em Caná, no início do seu ministério. A tradição católica o lê como um eco deliberado de Gênesis 3,15 — "Porei inimizade entre ti e a mulher" — fazendo de Maria a nova Eva.
Então ele a entrega a João e entrega João a ela. À primeira vista, um arranjo prático: um filho que morre provendo para uma mãe viúva. Os Padres da Igreja, porém, viram mais nisso. Da cruz, Cristo confia sua mãe ao discípulo amado como representante de todo discípulo. Maria torna-se mãe da Igreja.
"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27,46 / Mc 15,34)
Em aramaico: Eloí, Eloí, lemá sabactâni. Alguns dos presentes entenderam mal e pensaram que ele chamava por Elias.
Este é o mais difícil dos sete ditos do ponto de vista teológico. Como pode o Filho de Deus, eternamente um com o Pai, ser abandonado? Os Padres da Igreja debateram-se com a questão. A leitura católica padrão, ensinada de Agostinho a Tomás de Aquino, é que Jesus está rezando o versículo inicial do Salmo 22 — um salmo que começa na angústia, mas termina na vindicação e no louvor a Deus por todas as nações. Rezar o primeiro versículo de um salmo conhecido, no judaísmo antigo, era invocar o salmo inteiro. Leia o Salmo 22 de ponta a ponta e o clamor soa diferente.
É também um clamor real. Jesus está genuinamente experimentando o abandono que o sofrimento humano sente. Ele não encena o clamor; ele o sente de verdade. E, ao senti-lo de verdade, santifica todo clamor sincero de toda pessoa que algum dia se sentiu abandonada.
"Tenho sede." (Jo 19,28)
O quinto dito é um dos mais curtos e mais físicos. Após horas na cruz — provavelmente em profunda desidratação, em estado de choque, perto da morte — Jesus diz Tenho sede. Um soldado embebe uma esponja em posca, o vinho azedo e barato do exército romano, ergue-a num ramo de hissopo e a oferece à sua boca.
João acrescenta que isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura — uma referência ao Salmo 69,22, "para matar a minha sede, deram-me vinagre". Mas o clamor não é encenado em prol do simbolismo. É um homem real morrendo de sede real.
Madre Teresa de Calcutá construiu toda a sua espiritualidade em torno deste dito. Tenho sede está escrito acima do crucifixo em cada capela das Missionárias da Caridade no mundo inteiro. Para ela, era a sede de Cristo pelas almas — e a sede dos mais pobres entre os pobres, nos quais Cristo é encontrado. A ligação vai do Calvário aos moribundos de Kalighat.
"Está consumado." (Jo 19,30)
Em grego: Tetelestai. Uma só palavra. Um verbo no perfeito que significa foi levado à plenitude e está consumado.
A palavra era carimbada nos recibos do mundo romano para significar pago integralmente. Os soldados a usavam quando o objetivo de uma campanha era alcançado. Tetelestai não é o arquejo de um homem que desistiu. É o relatório de uma missão cumprida.
Tudo aquilo para que o Antigo Testamento apontava — o cordeiro pascal, a serpente de bronze, o servo sofredor de Isaías 53, o bode expiatório do Yom Kipur — converge e se consuma aqui. A obra que o Pai deu ao Filho para realizar está feita.
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." (Lc 23,46)
A sétima e última palavra. Jesus cita o Salmo 31,6, a oração que os judeus piedosos rezavam ao adormecer — o equivalente judaico do agora me deito para dormir. Ele a reza como um homem que morre, e acrescenta uma palavra que o salmo não tem: Pai.
Ele havia começado no Domingo de Ramos, entrando em Jerusalém como um rei. Havia terminado a noite anterior no Getsêmani pedindo ao Pai que o cálice passasse. Agora, no fim, dirige-se ao seu Pai mais uma vez e se entrega por inteiro. O Evangelho diz que ele "expirou". João diz que ele "inclinou a cabeça e entregou o espírito" — o verbo é ativo, deliberado. Ele não perde a vida. Ele a dá.
A Ordem e as Fontes
Os sete ditos, na ordem tradicional desde a era patrística, são extraídos de três Evangelhos (Marcos e Mateus compartilham a quarta palavra):
- Pai, perdoa-lhes — Lucas
- Hoje estarás comigo no paraíso — Lucas
- Mulher, eis aí o teu filho — João
- Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? — Mateus e Marcos
- Tenho sede — João
- Está consumado — João
- Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito — Lucas
A harmonização é antiga e bem estabelecida. Nenhum Evangelho isolado pretendia registrar todas as sete; cada evangelista preservou aquilo que servia ao seu propósito teológico.
Como os Católicos Rezam as Tre Ore
As Tre Ore — a devoção de três horas realizada do meio-dia às três da tarde na Sexta-feira Santa — medita sobre os sete ditos em sequência, muitas vezes com uma homilia sobre cada um, alternando com hinos e silêncio. Joseph Haydn compôs sua grande obra de câmara As Sete Últimas Palavras de Nosso Salvador na Cruz para esta devoção, em 1786. César Franck e Théodore Dubois seguiram-no no século XIX.
A devoção não exige música. Pode ser rezada sozinho, com uma Bíblia e um crucifixo. Leia os sete ditos em seus contextos evangélicos. Deixe cada um permanecer. Não tenha pressa. O propósito é permanecer ao pé da cruz tempo suficiente para ouvir o que o homem que morre está dizendo — ao seu Pai, à sua mãe, ao ladrão, ao soldado e a qualquer um disposto a ouvir através de dois mil anos. A história também é contada da perspectiva de Pedro e da de Maria Madalena, e cada ângulo aprofunda os outros.
Ouça a Paixão no Crucis Lux
O Crucis Lux conta a história da Paixão de Cristo e das Sete Palavras como uma série de áudio ilustrada e de ritmo pausado — cada dito narrado em seu contexto, cada painel pintado no registro dos afrescos medievais, em cinco idiomas.
